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Causa de cancro
ainda desconhecida


Luís Marques Pinto pega nos papéis onde tomou nota dos nomes dos antigos companheiros e vai apontando. "Este morreu de cancro nos pulmões, este, que trabalhava na oficina de tratamento químico, também, este era engenheiro de minas, morreu, e o seu secretário também". No final contabiliza mais de vinte ex-funcionários. Todos "apanhados" pelo cancro.
Mas poderá afirmar-se que a doença foi provocada por anos contínuos em contacto com o minério radioactivo? Não. Por uma razão dramática. Não foi feito qualquer estudo epidemiológico à população. O Instituto Nacional Ricardo Jorge iniciou um trabalho sobre a taxa de incidência de neoplagias na população residente junto às minas de urânio, que carece de um outro estudo que avalie a relação causa-efeito relativo à incidência do cancro.

Diário de Notícias (www. ttp://dn.sapo.pt/noticia/noticia.asp?CodNoticia=49746&codEdicao=297&CodAreaNoticia=1)

Trabalhadores das minas criam ONG

PAULA FERREIRA
Os antigos funcionários da Empresa Nacional de Urânio (ENU ) e os moradores na região querem ter voz no processo de requalificação ambiental da região. Conscientes de que precisam de estar unidos, decidiram criar um organismo para o qual pretendem obter o estatuto de organização não governamental (ONG). "Os Amigos das Minas de Urânio " é o nome da associação apresentada na passada semana na casa do pessoal da ENU por Luís Marques Pinto e António Minhoto. O elevado índice de mortes por cancro , a contaminação de solos e das águas são as questões que mais os preocupam. Funcionando como porta-vozes do alarmismo instalado na população, exigem a requalificação ambiental da área mineira e a elaboração urgente de um estudo epidemiológico
Diário de Notícias

Causa de cancro ainda desconhecida

Luís Marques Pinto pega nos papéis onde tomou nota dos nomes dos antigos companheiros e vai apontando. "Este morreu de cancro nos pulmões , este, que trabalhava na oficina de tratamento químico, também, este era engenheiro de minas, morreu, e o seu secretário também". No final contabiliza mais de vinte ex-funcionários. Todos "apanhados" pelo cancro.

Mas poderá afirmar-se que a doença foi provocada por anos contínuos em contacto com o minério radioactivo ? Não. Por uma razão dramática. Não foi feito qualquer estudo epidemiológico à população. O Instituto Nacional Ricardo Jorge iniciou um trabalho sobre a taxa de incidência de neoplagias na população residente junto às minas de urânio, que carece de um outro estudo que avalie a relação causa-efeito relativo à incidência do cancro .

Os dados concretos existentes dizem apenas respeito à contaminaçao de solos e água. Um estudo elaborado pelo Instituto Geológico e Mineiro revela "concentrações verdadeiramente anómalas de urânio no solo". Também nas águas "estão presentes concentrações consideráveis de metais de elevada actividade biológica". Entre eles o urânio classificado como "potencilamente cancerígeno".

Um quadro que levou Matos Dias, geólogo da Universidade de Coimbra, a recomendar que se "salvaguarde a população do efeito das radiações, evitando construções e proibindo o cultivo nesses locais de produtos destinados à alimentação". Se as mortes por cancro podem ser atribuídas a este conjunto de condicionantes é algo que tem de ser estudado pelas instituições que têm por missão salvaguardar a saúde pública.
Diário de Notícias

Crónicas Liberais
O urânio de José Cunha

27 anos depois do 25 de Abril deveria ser de todo improvável escrever sobre liberdades, direitos e garantias.

A democracia em Portugal está efectivamente consolidada e não se justifica que alguém queira amedrontar, amordaçar, silenciar seja quem for, só porque outrém exerce um direito constitucional de cidadania. Refiro-me concretamente ao processo de inquérito que o médico José Cunha, ilustre clínico do Hospital Sousa Martins está a ser alvo, pois opinando a um canal televisivo relacionou (ou talvez não) a eventual radioactividade na zona da Guarda e a incidência de cancro nesta região com o urânio existente em dezenas de minas abandonadas em vários concelhos deste vasto distrito.

O Dr. José Cunha, enquanto cidadão, e foi nessa qualidade que falou, tem todo o direito a pronunciar-se e a fazer as leituras que acha que são as mais correctas. Aliás, o artigo 26º da Constituição da República reconhece "os direitos à identidade pessoal, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra"...e não há machado que corte a raiz ao pensamento.

É triste que episódios destes sejam notícia, pois esta terra precisa de todos, e tentar ocultar aquilo que deve ser objecto de discussão pública é perfeitamente estúpido, à parte de processos destes terem o seu quê de inquisidores (isto para não lhe chamar outra coisa) e até inclusivamente penso que poderá existir em tudo isto alguma guerra pneumológica. O tempo o dirá...E não se pretenda criar a imagem de José Cunha como um ingénuo ideólogo, um menino de coro ou um Zé Maria do Big Brother, pois não é disso que se trata, para também eu perguntar:

Se toda esta problemática do urânio já chegou ao Parlamento, primeiro pela voz da deputada Ana Manso e posteriormente por um deputado do PS que pediu a nomeação de uma Comissão Científica, nós que residimos nesta zona, temos ou não direito a saber como foram seladas as minas existentes na Guarda, Sabugal, Gouveia, Pinhel, Trancoso, Fornos de Algodres, Seia, Almeida, Aguiar da Beira e se a água que bebemos, bem como o espaço que habitamos, contem ou não mais radioactividade que o resto do País ? E se o cancro de estômago que atinge números significativos na nossa zona poderá ser derivado a tudo isto ?

Como não me satisfez o recente esclarecimento da ENU (Empresa Nacional de Urânio), pensei que as câmaras municipais envolvidas neste processo aprovassem alguma resolução no sentido de proceder a um rastreio destes lugares ligados à exploração do urânio. Mas nem uma se pronunciou. Nem o Governador Civil.

Note-se que a Guarda tem cientistas nesta área: Veiga Simão, Carvalho Rodrigues, Vítor Vasques que se convidados poderiam dar uma mãozinha e esclarecer em definitivo todo este imbróglio.

E como a radioactividade não tem fronteiras, continuo a perguntar:

O que se passa em Saelices el Chico a meia dúzia de Quilómetros do nosso distrito ?

Será que o mineral não é tratado com lavagens no rio Águeda que como se sabe vem desaguar ao rio Douro junto a Barca de Alva pondo em causa todo o ecossistema existente no chamado Douro Internacional ?

Será que a opção nuclear espanhola não foi sempre junto à fronteira com Portugal e mais propriamente em regiões onde o poder reivindicativo é menor, como é o caso da vizinha Castilla-Leon ?

Se assim não é, como justificar a central nuclear de Almaraz, Aldeadávila de la Ribera, Saelices el Chico , etc. etc. etc. de onde se pode concluir que vivemos junto a um verdadeiro paiol de pólvora.

O poeta escreveu um dia que "vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar". Esclarecer a problemática do urânio na região granítica da Guarda é absolutamente indispensável, urgente e neste processo quem denunciou é porque está atento/interessado e em vez de ser compreendido e escutado foi maltratado e perseguido.

Haja Deus e até para a semana...

Albino Bárbara

07-04-2003 22:27
Saúde dos residentes próximo de minas de urânio em estudo este mês
Mais de 600 portugueses residentes nas proximidades de minas de urânio vão começar a realizar exames médicos este mês para analisar o risco de contrair doenças resultantes da exposição a minérios radioactivos , como o cancro de pulmão. Estudos nos Estados Unidos e Europa provaram que os trabalhadores de minas de urânio correm mais risco de sofrer de doenças como neoplasias malignas, alterações citogenéticas (que se podem transmitir aos filhos e netos) ou da função renal. "O estudo que se vai agora fazer à população portuguesa tem como objectivo apurar se esse risco aumentado de doenças [nos trabalhadores] também se verifica nas populações residentes nas vizinhanças das minas", explicou à Agência Lusa José Marinho Falcão, o epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Dr Ricardo Jorge coordenador do projecto. Durante quase um século, cerca de meia centena de minas de minérios urano-radíferos foi explorada em Portugal, a quase totalidade localizada na região centro, sobretudo nos distritos de Viseu e Guarda. Actualmente as minas estão encerradas, mas algumas, como a de Urgeiriça , em Canas de Senhorim (Viseu ), mantêm depósitos de resíduos com compostos radioactivos resultantes da extracção do urânio. As freguesias seleccionadas para exames médicos localizam-se nos concelhos de Nelas, Trancoso, Vouzela, Viseu, Celorico da Beira, Seia e Sátão , nem todas junto a minas de urânio , para que se possam estudar diferentes graus de exposição. O estudo vai ser efectuado, a partir do próximo dia 28, a 600 residentes entre os 45 e os 64 anos, de ambos os sexos, através de análises ao sangue (para detectar nomeadamente concentrações de metais pesados) e ao cabelo (que retém alguns dos minerais radioactivos resultantes da degradação do urânio ).

Exposição a minérios radioactivos examinada

Testes médicos avaliam risco de contrair doenças
EPA/Sergei Vaganov
  Já foram realizados exames a mineiros nos EUA e na Europa

Os portugueses que residem perto de minas de urânio vão realizar exames médicos este mês para analisar as probabilidades de contrair doenças resultantes da exposição a minérios radioactivos , como é o caso de cancro do pulmão. Mais de 600 portugueses vão ser sujeitos ao exame.

"O estudo que se vai fazer agora à população portuguesa tem como objectivo apurar se esse risco aumentado de doenças nos trabalhadores também se verifica nas populações residentes nas vizinhanças das minas", explicou o coordenador do projecto, José Marinho Falcão, epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, à agência Lusa.

Estudos já efectuados nos Estados Unidos e na Europa provaram que os trabalhadores destas minas correm um maior risco de sofrer de doenças como neoplasias malignas, alterações citogenéticas (que se podem transmitir aos filhos e netos) ou da função renal.

As freguesias que foram seleccionadas para estes exames médicos estão localizadas nos concelhos de Nelas, Trancoso, Vouzela, Viseu, Celorico da Beira, Seia e Satão.

O estudo será realizado a partir de dia 28 de Abril em residentes com idades compreendidas entre os 45 e os 64 anos e de ambos os sexos. As análises serão efectuadas ao sangue para detectar a concentração de metais pesados, bem como ao cabelo porque retém alguns dos minerais radioactivos que resultam da degradação do urânio.

Cerca de 50 minas de minérios urano-radíferos foram exploradas em Portugal durante quase um século. Este número equivale à quase totalidade de minas localizadas na região centro do país, principalmente em Viseu e Guarda .

Neste momento as minas estão fechadas, mas algumas delas, como a de Urgeiriça, em Canas de Senhorim, Viseu , mantêm depósitos de resíduos com compostos radioactivos que resultam da extracção do urânio.

A investigação inclui, ainda, uma análise da radioactividade em amostras de água, solos, ar e produtos agrícolas e pecuários, bem como no exterior e interior de habitações.

"O primeiro relatório será apresentado em 2004, mas as conclusões sobre as consequências do urânio ao nível genético só serão conhecidas em 2005", concluiu o coordenador do projecto.  SIC / Lusa

   25 de Maio de 2004
  2004-01-28 00:00:00
Especialistas aconselham mais ventilação para evitar concentrações elevadas
ESTUDO CONFIRMA RADIOACTIVIDADE EM ESCOLA DA GUARDA
A concentração elevada de gases radioactivos na Escola Secundária da Sé, na
Guarda, foi confirmada ontem por um estudo apresentado pela Direcção Regional de
Educação do Centro (DREC).
Sá Rodrigues

O gás encontrado na escola da Guarda aumenta o risco de cancro
De acordo com a avaliação efectuada por elementos do Instituto Tecnológico e
Nuclear (ITN) e Laboratório de Radioactividade Natural do Departamento de
Ciências da Terra (LRNDCT), a escola tem locais com "concentrações instantâneas
de radão relativamente elevadas". Para eliminar o problema, torna-se necessário
melhorar a ventilação dos espaços afectados.

O radão é um gás radioactivo de origem natural, que se liberta da crusta
terrestre e provém da desintegração do urânio e rádio . Neste processo, são
libertados elementos que podem ser inalados e fixar-se nos brônquios, aumentando
o risco de lesões cancerígenas nas vias respiratórias.

A presença desta substância na escola da Guarda foi detectada no último
trimestre de 2003, nas aulas laboratoriais, mas os autores do estudo defendem
que houve "interpretação indevida dos dados fornecidos pelo aparelho da escola",
não se justificando, por isso, "o alarme gerado".

De acordo com os resultados obtidos no estudo agora tornado público, os
especialistas recomendam a ventilação das caixas de ar, situadas sob os
laboratórios, para evitar a propagação do gás no sentido vertical.

Ao mesmo tempo, é apontada a impermeabilização da laje de betão sob os
laboratórios, com tela betuminosa, como alternativa à ventilação.

Cruz Gonçalves, director de Recursos Materiais da DREC, revelou que as obras
para melhorar a ventilação já estão a decorrer e deixou em aberto a
possibilidade de uma intervenção técnica mais dispendiosa, caso as medidas em
curso não solucionem o excesso de radioactividade .

Os autores do estudo aconselham a realização de novas medições após a conclusão
dos trabalhos.
Francisco Pedro (Leiria)

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